Processo de gerenciamento de capacidade

image_pdfimage_print

O fornecimento da capacidade exigida para processamento e armazenamento de dados é tarefa do gerenciamento de capacidade. Isso é feito para que o provimento desta capacidade não venha de uma definição tomada às pressas, sem planejamento, fazendo com que seja compensador quanto ao custo.

Quando se leva em consideração que muitos data centers, com elevado número de servidores, operam, por exemplo, com 20% ou menos da capacidade, pode-se afirmar que muito dinheiro está sendo desperdiçado na provisão de serviço.

Segundo o Office of Government Commerce (OGC) (2006), o gerenciamento de capacidade trata das seguintes questões:

• O valor de compra da capacidade de processamento pode ser justificado levando-se em conta as exigências do negócio?

• A capacidade de processamento é utilizada de modo eficiente (custo x capacidade)?

• A capacidade atual de processamento atende as demandas presentes e futuras do cliente (oferta x demanda)?

• A capacidade de processamento disponível está funcionando ao máximo com eficiência (ajuste do desempenho)?

• Quando a capacidade adicional deverá ser disponibilizada exatamente?

• Há conhecimento de que capacidade de TI será necessária futuramente e quando?

Importante: Para que o objetivo do gerenciamento de capacidade possa ser desenvolvido, é necessário um relacionamento próximo ao negócio, aos processos de negócio e à estratégia de TI. Por este motivo, processo de gerenciamento de capacidade pode ser visto como reativo, que visa a medir e melhorar, e proativo, que visa a analisar e prever.

Alguns conceitos do gerenciamento de capacidade merecem um destaque, tais como:

a. gerenciamento do desempenho: aperfeiçoa o desempenho da infraestrutura de TI através de ajustes, mensuração e monitoração dos componentes de infraestrutura;

b. modelagem: determina melhores soluções e estabelece exigências de capacidade através de tendências, simulações ou modelos analíticos;

c. dimensionamento da aplicação: determinação da carga de trabalho futura prevista, além da definição da capacidade de hardware (neste caso considera-se rede) necessário para suportar novos serviços ou serviços modificados;

d. planejamento da capacidade: criação de um plano de capacidade, através da utilização de cenários, para atender a demanda esperada pelos serviços de TI. Esse plano deve estar baseado em uma avaliação da situação atual, bem como de uma previsão de utilização da infraestrutura de TI.

Objetivos

O gerenciamento de capacidade tem por objetivo fazer o provimento de capacidade de recursos de TI, adequadas às necessidades atuais e futuras do negócio, com custo justificável (preço razoável) e de acordo com os prazos. Esse processo tem papel fundamental na determinação das defesas do custo e dos retornos de investimentos.

O gerenciamento de capacidade deve produzir, e manter, um plano de capacidade que reflita as necessidades atuais e futuras do negócio, garantindo com isso que as metas para níveis de desempenho sejam atingidas, ou, se possível, superadas.

O apoio a diagnósticos e resolução de incidentes e problemas, relacionados com capacidade, deve ser fornecido. Além disso, deve ser feito um levantamento dos impactos que as mudanças no plano de capacidade possam causar, bem como desempenho e capacidade de recursos e serviços.

Com todos esses aspectos sendo tratados, pode-se afirmar que haverá uma redução de riscos associados aos serviços existentes, pois há uma administração eficiente.

A redução dos custos é visível, pois todo investimento é feito sem pressa, ou seja, na hora certa, sem pressionar o processo de compras e com compras refletindo a realidade que se precisa, não indo além da necessidade e sem equipamentos com capacidade exagerada.

Com relação aos serviços novos e/ou modificados, o processo possibilita um conhecimento do impacto dos mesmos sobre os serviços existentes.

Isso tudo só vem a melhorar o relacionamento da organização com clientes e fornecedores, pois prevê as exigências do usuário e organiza os acordos com os fornecedores, tais como compra, entrega, manutenção, etc.

O processo

Com o passar do tempo, a facilidade de aquisição de hardware, devido ao preço mais acessível, fez com que algumas organizações, sem levar em consideração o gerenciamento de capacidade, comprassem um hardware com excesso de capacidade.

Este tipo de comportamento é responsável pelo alto grau de risco e custo, fazendo com que a gestão de um data center se torne mais problemático que o próprio hardware existente nele.

Com auxílio do gerenciamento de capacidade, a organização evitará investimentos desnecessários, impedindo surpresas e compras precipitadas.

Assim, os recursos são utilizados de forma mais equilibrada. Além disso, esse processo ajuda a coordenar as capacidades, garantindo que os elevados investimentos que forem realizados sejam utilizados de modo eficiente.

Como a infraestrutura de TI é muito complexa, a dependência da capacidade com relação aos componentes de TI só tende a aumentar, exigindo cada vez mais da infraestrutura para que os níveis de serviços acordados com o cliente sejam atendidos.

Atividades do gerenciamento de capacidade

A figura a seguir ilustra as principais atividades do gerenciamento de capacidade:

 

O gerenciamento de capacidade possui três subprocessos, nos quais se pode considerar a capacidade:

a. gestão da capacidade do negócio: garante que as necessidades futuras do negócio sejam consideradas, planejadas e atendidas em tempo apropriado. Isso pode ser feito através de análise de tendências, previsões e modelagens. O foco está nas necessidades atuais e futuras do negócio;

b. gestão da capacidade de serviços: gerencia o desempenho dos serviços de TI em operação. São suas responsabilidades garantir, monitorar e reportar os níveis de desempenho definidos nos acordos de nível de serviço (SLA) e nos requisitos de nível de serviço (SLR). Seu foco está nos serviços atuais suportados pelo negócio;

c. gestão da capacidade de recursos: monitora e reporta os níveis de desempenho, individuais, dos recursos (componentes) de infraestrutura de TI. Seu foco está na tecnologia responsável por sustentar toda a provisão de serviços.

Dados de saída

Plano de capacidade Banco de dados de capacidade Referências e perfis Limiares e alarmes Relatórios de capacidade Recomendações sobre nível de serviço Recomendações sobre custeamento e cobrança Mudanças proativas Aperfeiçoamentos no serviço Programações operacionais revistas Revisões de eficiência Relatórios de auditoria

Como visto nesta leitura, o processo de gerenciamento de capacidade deve assegurar que a capacidade da infraestrutura de TI esteja alinhada com as necessidades de negócio. Esse processo deve não só desenvolver e manter um plano de capacidade que reflita as necessidades atuais e futuras do negócio, como também garantir medidas proativas para melhorar o desempenho, quando justificável financeiramente.

Referência

OFFICE OF GOVERNMENT COMMERCE (OGC). Introdução ao ITIL. Norwich: OGC, 2006.

Autores: Miguel Garcia Junior e Rodrigo Santana

Sou bacharel em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (Alagoas), especialista em Gestão Estratégica da Tecnologia da Informação pela Univ. Gama Filho (UGF) e pós-graduando em Gestão da Segurança da Informação pela Univ. do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Tenho interesse por todas as áreas da informática, mas em especial em Gestão, Segurança da Informação, Ethical Hacking e Perícia Forense. Sempre disposto a receber sugestões de assuntos para criar uma postagem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Quer ficar atualizado?

Inscreva-se em minha newsletter e seja notificado quando eu publicar novos artigos de graça!