4 tendências do futuro da TI nos hospitais

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“De longe, entre as tecnologias mais transformadoras e influentes da última década têm sido aquelas relacionadas à interconectividade”, diz pesquisador de informática em saúde Renato M.E. Sabbatini

A velocidade alucinante em que se sucedem as inovações tecnológicas neste início de década tem atingido níveis tais, que os responsáveis por suas aplicações nos hospitais e outras instituições do sistema de atenção à saúde enfrentam cada vez mais múltiplos dilemas.

Tradicionalmente, a taxa de adoção de tecnologias de informação por essas instituições tem sido lenta, bem abaixo de outros setores da sociedade. Até mesmo algo que já teria que ser obrigatório, como a informatização total dos dados clínicos, o prontuário eletrônico do paciente (PEP), é extremamente raro nos hospitais brasileiros. Numa época em que todo o setor financeiro estava se informatizando integralmente, a maioria dos hospitais sequer usava computadores para automações simples, como folha de pagamento e faturamento. Mesmo o impacto da informatização maciça e acelerada dos consumidores, como o uso generalizado de celulares capazes de navegar na Internet, e agora, os tablets, mal tem sido considerada pelos CIOs do setor saúde, embora as transformações sociais causadas por eles sejam extremamente rápidas e relevantes para sua atividade.

A rede domina

De longe, entre as tecnologias mais transformadoras e influentes da última década têm sido aquelas relacionadas à interconectividade. O cenário do acesso, armazenamento e distribuição dos dados mudou radicalmente com o advento das redes globais, como a Internet, principalmente a banda larga (que já ultrapassou 60 milhões de acessos no Brasil), e as redes sem fio. A integração das redes de dados com as redes de telecomunicação, como a de telefonia celular, ampliou extraordinariamente o alcance e a influência das redes digitais, uma vez que acrescentou gigantescos números de usuários “sem-computador” aos usuários potenciais (outro número impressionante: também em março de 2012 deveremos chegar aos 200 milhões de linhas móveis, com uma taxa de penetração superior aos 100%, e desbancando todas as outras formas de acesso, em todas as classes sociais).

Esse cenário continuará a se firmar e expandir, principalmente nas tecnologias que ainda não estão saturadas. O surgimento de redes com velocidades cada vez maiores, como a quarta geração de redes de dados e de telefonia móvel (4G), e os dispositivos capazes de explorá-las, continuará impactando o setor. Podemos prever, portanto, que o futuro do setor saúde contempla a formação de uma rede global de informações em que todos os protagonistas, dos pacientes aos planos de saúde, da saúde privada e pública, dos grandes bancos de dados aos equipamentos laboratoriais e de imagens, estarão interligados de forma abrangente e integral.

A este cenário convencionou-se denominar e-saúde, ou saúde digital, que tem alguns anos ainda, talvez uma década, para se concretizar no Brasil. Curiosamente, é um alvo extremamente difícil e custoso de se atingir, não por falta de recursos financeiros ou de tecnologias adequadas (o setor bancário provou que isso é possível há décadas atrás), mas até mesmo países muito ricos, depois de gastar bilhões de dólares ou euros em projetos gigantescos de e-saúde, demonstraram estar muito longe desse ideal, e têm tido dificuldades de comprovar os seus benefícios reais.

Além do custo, os principais obstáculos para a e-saúde são quatro:

• a enorme complexidade das organizações e procedimentos;
• o desafio colocado pela interoperabilidade funcional e de padrões de representação de dados e mensagens;
• e o envolvimento dos seus usuários terminais, os profissionais de saúde, principalmente os médicos;

• a gestão e a análise contínua dos grandes armazéns de informação que será gerada por essa rede, um problema novo que está sendo chamado de “big data”.

O computador é a rede

Entre as tecnologias que mais impactarão o setor saúde certamente estão aquelas em que o armazenamento de dados e a computação serão delegados à rede, ou melhor dizendo, a dispositivos remotos, seguindo uma tendência de descentralização, que será essencialmente impulsionada pela queda vertical dos custos de propriedade e de operação.

Estamos falando das tecnologias de nuvens (cloud computing), que tem sido revolucionada pela entrada de fornecedores de enorme tamanho, bem como pela possibilidade de que o software e suas funções estejam dispersos em uma rede com localização indefinida. Poderemos prever, então, o grande crescimento do chamado Software as a Service (SaaS) no setor saúde, que tem o dom de facilitar e agilizar muitas vezes mais a implementação e a atualização e expansão dos sistemas usados pelos hospitais. O barateamento e a disponibilidade univeral desses processos, até hoje extremamente caros e desafiadores para os hospitais, terá como resultado a sua universalização, a médio prazo.

No entanto, a computação em nuvem e o SaaS criam problemas novos e difíceis, gerando dilemas ainda difíceis de se resolver, como a questão da segurança dos dados e a necessidade de modificar e adaptar centenas de milhares de softwares tradicionais baseados em redes cliente-servidor que assumem que todos os dados e funções estão em único local protegido.

O poder do consumidor

A segunda onda que mais influenciará as aplicações da TI em saúde é muito nova e com um grande potencial de provocar desequilíbrios, mas é ainda largamente ignorada pelas instituições: é o surgimento do e-paciente, ou seja, o consumidor de serviços de saúde que é cada vez mais extensamente informatizado, e que, no espírito da chamada Web 2.0, ou web colaborativa, transformou-se pela primeira vez em um protagonista ativo do sistema. É o chamado prosumidor (uma mistura de consumidor e produtor de informações). Acredita-se que, com as redes sociais e comunidades virtuais, atualmente mais de 80% dos usuários da Internet também produzam e distribuam informação, através de blogs, microblogs, compartilhamento de opiniões e recomendações, crowdsourcing, etc.

A democratização maciça de acesso à informação médica, e a possibilidade de grupos de usuários afetarem de forma virtual e em pouquíssimo tempo, o prestígio, as ações, e até o faturamento de uma empresa ou profissionais da saúde, está mudando radicalmente o relacionamento médico-paciente, por exemplo. Conceitos como a nova ética médica digital, a quem pertencem as informações clinicas individuais, a questão da privacidade controlada pelo paciente, e não mais pela instituição, e outros, serão alterados definitivamente pela expansão dos registros pessoais de saúde, pelos sensores e dispositivos inteligentes conectados à Internet (a chamada “Internet das coisas”), pela mobilidade, pela rastreabilidade e pela ubiquidade.

Tecnologias com potencial transformador

Além daquelas que expusemos aqui, um grande número de novas tecnologias tem o potencial de transformar o setor saúde, mas de maneiras e extensão ainda pouco conhecidas e imprevisível. As plataformas de comunicação e colaboração, por exemplo, revolucionarão as práticas a distância, como na telemedicina e na telepresença. Os serviços de geolocalização e rastreamento, o advento da Web 3.0 e da inteligência artificial embarcada, a robótica e a realidade virtual e aumentada, o uso disseminado de certificados digitais (como o projeto brasileiro da carteira de identidade digital), e várias outras, estarão nos assombrando no futuro e influenciando poderosamente o setor saúde.

*Renato M.E. Sabbatini é professor e pesquisador de informática em saúde, ex-docente da USP e da UNICAMP, fundador e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS), sendo atualmente seu diretor de educação e capacitação profissional.

Fonte: Information Week

Sou bacharel em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (Alagoas), especialista em Gestão Estratégica da Tecnologia da Informação pela Univ. Gama Filho (UGF) e pós-graduando em Gestão da Segurança da Informação pela Univ. do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Tenho interesse por todas as áreas da informática, mas em especial em Gestão, Segurança da Informação, Ethical Hacking e Perícia Forense. Sempre disposto a receber sugestões de assuntos para criar uma postagem.

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