Insanidade é não fazer nada

image_pdfimage_print

William Douglas

Destino essa coluna a conversas sobre concursos e sua preparação para eles, preocupando-me em compará-los com temas do nosso cotidiano. Já falei anteriormente sobre construções de casas, sobre preparação do vinho e assim por diante. Hoje, falarei sobre algumas outras questões como aparelhos ortodônticos.

Passei décadas fugindo da implantação de um aparelho ortodôntico necessário para a correção de minha oclusão mandibular imperfeita, mas acabei sendo compelido a fazê-lo. Coloquei as desconfortáveis pecinhas de metal em minha boca que arranhavam e dificultavam muito minha alimentação. Em alguns momentos me lembro de ter pensado em desistir, mas pensando no longo prazo, desisti de desistir e persisti no tratamento, superando a dor e o incômodo.

E você pode estar pensando agora, mas o quê isso têm a ver com concursos? Bem, primeiro, tanto em concursos quanto no caso do aparelho, tentei fugir, mas em ambos escolhi a melhor opção entre o leque de alternativas. No caso do aparelho, sofrer um pouco, aguentar dois anos mais ou menos e salvar meu sorriso e os dentes. É a relação custo-benefício. O concurso pode ter suas dificuldades, mas é uma das melhores formas de se conseguir um bom emprego, estabilidade, carreira etc.

Segunda comparação: estava um pouco velho para o aparelho, mas, como sempre digo, nunca é tarde para começar. Falei sobre isso na primeira parte do vídeo sobre idade e concursos que publiquei em meu canal no Youtube. Recordo de quantos amigos fizeram concurso com 50, 60 anos.

Outro ponto de contato é a dor. Como dói colocar aparelho nos dentes! Dói, mas é necessário; dói, mas é o jeito. Antes essa dor agora do que, depois, a dor do não ter feito o que foi recomendado. Aí, lembro-me da máxima que criei sobre concursos: “a dor é temporária, o cargo é para sempre.” Aplicada aos aparelhos ortodônticos, “a dor é temporária, o sorriso é para sempre”. Não pense que o concurso é tarefa indolor. Dói, mas dói muito mais não fazer nada, não tentar mudar para melhor o nosso destino. Ou seja, você não pode evitar a dor, apenas escolher qual delas prefere não sentir. Quem paga o preço do concurso evita a dor do desemprego, da falta de seu lugar ao sol, da falta de dinheiro para o sustento diário.

Por outro lado, e aqui vai outra comparação, a ortodontista disse que com o tempo eu iria me acostumar, que haveria um período de adaptação. Segundo ela, o organismo criaria defesas próprias, se adaptaria, a gengiva iria engrossar o suficiente para suportar o metal, de modo que o incômodo inicial iria arrefecendo com o passar do tempo. Não que a coisa ficaria totalmente resolvida, mas pelo menos estaria no limite do tolerável. Para quem não está acostumado à vida de concursando, organização, disciplina, horários, técnicas e procedimentos básicos podem parecer insuportáveis, irrealizáveis, estressantes. Mas à medida que eles vão se tornando parte do dia a dia, passam a ser toleráveis a ponto de, um dia, pelo costume, você até ter um prazerzinho nesse negócio. Esse será o dia em que você se tornou concurseiro profissional, “cascudo”, “macaco velho”, quase pronto para passar. Tudo pode doer muito no início, depois melhora.

Importante também perceber o mergulho em uma situação aparentemente pior. Você piora um pouco para depois melhorar. No caso do aparelho, meu sorriso enfeou temporariamente para, depois de um tempo, ficar mais bonito do que antes. Se você vai estudar para concurso, se optou por isso, sua vida vai ficar mais difícil do que antes durante algum tempo. Depois da aprovação, ela vai ficar bem mais bonita.

O aparelho custou dinheiro, a ser entendido como investimento, e não como despesa. O concurso demandará investimento também: livros, cursos etc. No meu caso, posso afirmar que se não fosse o concurso não teria dinheiro para pagar o aparelho. Assim, leve com serenidade as despesas necessárias para a preparação: isso também faz parte do sistema.

Só faltou ela dizer que “a diferença entre o sonho e a realidade, digo, entre oclusão errada e oclusão perfeita, é a quantidade certa de tempo e trabalho”. De fato, vai levar um tempo e dar um trabalho enorme, mas vale a pena! Idêntico aos concursos.
Para você que está lendo este artigo, acredite, eu sei bem o que é colocar um freio em sua vida para daqui a algum tempo, poucos anos, receber algo muito bom em troca como prêmio. Pode até parecer uma insanidade fazer cursinhos e concursos, ou colocar aparelhos ortodônticos, mas insanidade mesmo é não fazer o que precisa logo ser feito. Escolha bem quais insanidades quer cometer. Seu melhor futuro depende disso!

William Douglas é juiz federal, professor exclusivo da Rede LFG, palestrante e autor de mais de 40 obras, dentre elas o best-seller “Como Passar em Provas e Concursos”. Acompanhe-o pelo site www.williamdouglas.com.br e nas redes sociais: @site_wd, /PaginaWilliamDouglas (Facebook) e /sitewilliamdouglas (Youtube).

Fonte: JC de Concursos

Sou bacharel em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (Alagoas), especialista em Gestão Estratégica da Tecnologia da Informação pela Univ. Gama Filho (UGF) e pós-graduando em Gestão da Segurança da Informação pela Univ. do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Tenho interesse por todas as áreas da informática, mas em especial em Gestão, Segurança da Informação, Ethical Hacking e Perícia Forense. Sempre disposto a receber sugestões de assuntos para criar uma postagem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Quer ficar atualizado?

Inscreva-se em minha newsletter e seja notificado quando eu publicar novos artigos de graça!