As gafes de português que muita gente comete e não percebe

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Por reconhecer os preconceitos que a língua cria, não sou fiscal do idioma nem polícia montada da gramática. Isso não significa que meus ouvidos ficarão surdos aos sons que por eles passam.

O termo hipercorreção designa um erro em que o usuário, imaginando usar corretamente o idioma, desvia-se das regras. Dá-se também o nome de hiperurbanismo a esse fenômeno, pois configura a clara intenção de imitar o uso alheio em busca de prestígio, fato comum nas várias inter-relações que a vida urbana é rica em criar.

Pensa-se usar o fino do idioma e, na realidade, incorre-se em erro. Uma imagem para a situação é o garboso cavaleiro que, ao tentar subir no cavalo, pega mais embalo que o necessário e cai do outro lado. Quer-se aplicar a norma culta, mas falta a destreza necessária. Há boa intenção, mas isso não basta.

É comum, na fala do brasileiro, a marca de plural em apenas um elemento, como em “Só veio os menino”. Mas, em situação formal, ele tentará aplicar as regras gramaticais, em que predomina concordância global: “Só vieram os meninos”.

Por isso, imagine-se em uma entrevista de emprego, quando indagado sobre há quanto tempo você parou de estudar. Frases como “Parei de estudar fazem dois anos” podem influir na seleção e, o que é pior, podem levar o entrevistador a pensar que era cedo para você parar de estudar. O verbo fazer não concorda com o tempo e isso gera um uso especial: “Parei de estudar faz dois anos”.

O verbo haver é outro campeão em hipercorreção. “Haviam falhas no processo” ou “Se não houvessem tantos gols perdidos, a história do jogo seria outra” são exemplos de concordância plural em hora errada.

Haver, no sentido de existir, forma uma oração sem sujeito e fica, nesse caso, no singular: “Havia falhas no processo” ou “Se não houvesse tantos gols perdidos, a história do jogo seria outra”.

Os exemplos são variados e diversos, atingindo a todas as idades, regiões e bolsos, mas o exemplo que mais me toca (até pela proximidade regional do fenômeno) é o do caipira que, ciente de sua troca do “l” pelo “r” (como em “paster de vento” e “criatura mardosa”), quer disfarçar sua origem e procura falar como os “rapai” da cidade. E, no restaurante, pede ao garçom uma faca e um “galfo”, em vez de garfo. É a hipercorreção ou hiperurbanismo em ação.

Fonte: Exame

Sou bacharel em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (Alagoas), especialista em Gestão Estratégica da Tecnologia da Informação pela Univ. Gama Filho (UGF) e pós-graduando em Gestão da Segurança da Informação pela Univ. do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Tenho interesse por todas as áreas da informática, mas em especial em Gestão, Segurança da Informação, Ethical Hacking e Perícia Forense. Sempre disposto a receber sugestões de assuntos para criar uma postagem.

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